O noticiário está tomado por uma declaração da deputada federal Carla
Dickson de que "a máquina" pesa em prol do nome da vereadora Nina
Souza na disputa por uma vaga de deputada federal.
Acreditando na boa fé da deputada, acredito que suas declarações tenham sido
retiradas de contexto. Ali, poderíamos considerar como um "desabafo"
de alguém que está na disputa direta com Nina.
Professora, Advogada, Vereadora, líder do governo na Câmara em duas ocasiões,
presidente da CCJ e Secretária da SEMTAS, Nina é detentora de uma capacidade
intelectual e de articulação política como poucos no RN. Em 2022, coordenou a
campanha vitoriosa de Paulinho Freire à Câmara Federal, ocasião em que se
aproximou de lideranças de todas às regiões do Estado e passou a pavimentar, em
nome do grupo, sua estrada para Brasília.
Associado ao currículo de Nina, está o histórico de correção e de espirito de
grupo de Paulinho Freire, seu companheiro e ex-deputado federal. Paulinho
construiu sua carreira com extrema parceria com seus aliados e em momentos
adversos na política, recebeu de volta solidariedade e apoio.
Para os neófitos que não acompanharam a história recente, em 2012, ao retornar
ao legislativo após quatro anos como vice-prefeito de Natal, o então vereador
Paulinho Freire integrava um grupo de minoria na Câmara, onde foi perseguido e
até mesmo proibido de ser entrevistado na emissora institucional do
Legislativo. Este grupo passou quatro anos excluído pelo comando da Casa
em consonância com o Poder Executivo. Anos depois, com a credibilidade que suas
ações ao longo da vida lhe concederam, Paulinho Freire montou um grupo e mesmo
contra a máquina pesada da Prefeitura, elegeu Raniere Barbosa como presidente e
o próprio Paulinho no biênio seguinte.
A eleição foi entre a máquina e o espírito de grupo, vencendo este
último.
Em 2022, o então candidato Paulinho Freire não era o candidato a deputado
federal do então Prefeito Álvaro Dias, era apenas um aliado - mais um - a
disputar a vaga. Mesmo assim, conseguiu costurar o apoio de 17 dos 29
parlamentares da época, inclusive a vereadora Júlia Arruda, oposição ferrenha
ao então governo.
Neste momento, a “máquina” também não funcionou. O espírito de grupo vencia
mais uma vez.
Para finalizar, devemos observar a pré-candidatura de Nina como uma
continuidade de um projeto que começou lá atrás, capitaneado por Paulinho
Freire ainda vereador, depois como deputado federal e agora como Prefeito de
Natal. Sem grupo, ninguém chega a lugar algum.
Se máquina por si só elegesse alguém, os prefeitos da capital que passaram pelo
cargo anteriormente teriam tido sucesso nos nomes que colocaram na disputa e
que nem de longe conseguiriam se eleger com os votos obtidos.
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